Segunda-feira, 7 de Abril de 2008

Ainda as PPPs na saúde

No DE.

 

Saúde 2008-04-03 00:05
Estado poupa 777 milhões com gestão privada na Saúde
Os grupos privados que vão gerir os hospitais de Cascais, Braga, Vila Franca de Xira e Loures garantem que gastarão menos 777 milhões do que o Estado.

Mário Baptista

A manutenção do modelo de gestão clínica e construção nos concursos públicos para os hospitais de Cascais, Braga, Vila Franca de Xira e Loures deverá  poupar ao Estado quase 800 milhões de euros.

De acordo com os dados oficiais do Ministério da Saúde, o Estado gastaria 2.926 milhões de euros se construísse e gerisse estes hospitais, mas os privados que foram aos concursos públicos públicos garantem que conseguem fazer o mesmo por 2.149 milhões.

Assim, se os compromissos que vão ser assinados com os grupos privados forem cumpridos, o Estado vai poupar 777 milhões de euros durante a vigência dos contratos de construção e gestão destes hospitais – dez anos para a parte clínica, trinta anos para a parte da manutenção do edifício.

Este modelo – que o Governo decidiu não aplicar nos seis hospitais que vão ser construídos nos próximos anos – motivou fortes críticas do sector privado, que acusou o Governo de não respeitar os compromissos assumidos.

Para o primeiro-ministro, no entanto, estes argumentos não colhem. No Parlamento, há cerca de duas semanas, José Sócrates explicou que a gestão clínica faz parte do leque de responsabilidades do Estado, por um lado, e, por outro, as poupanças introduzidas pelos privados não compensam os custos administrativos de acompanhar a execução dos contratos.

O primeiro-ministro acrescentou ainda um terceiro argumento para os hospitais que vão ser lançados não terem – à semelhança do que acontece com estes quatro que deverão gerar uma poupança de 777 milhões de euros – a componente da gestão clínica. É que, diz Sócrates, os resultados dos hospitais públicos com gestão empresarial permitem dispensar a presença do sector privado na gestão destes hospitais.

Assim, os hospitais de Todos-os-Santos, do Algarve, de Évora, da Póvoa do Varzim, de Gaia e de Sintra não vão ter gestão privada.

Juntando os resultados acordados entre o Estado e os privados nos quatro hospitais que já foram objecto de concurso, constata-se que o preço oferecido, comparado com o custo em que o Estado incorreria se construísse e gerisse estas unidades de saúde, é bastante mais barato.

Em Vila Franca de Xira, por exemplo, o Grupo Português de Saúde garantiu ao Estado que consegue construir e gerir o hospital  por 435 milhões de euros, quando o Estado calcula que a gestão pública custaria quase 586 milhões.


Os grupos privados que vão gerir os hospitais públicos

1 - Hospitais Privados de Portugal ganharam Cascais
Foi o primeiro contrato a chegar ao fim e mostrou a inovação e consequente lentidão de todo o processo. Depois de apresentadas as propostas, depois de escolhido o melhor concorrente, o Estado e a Hospitais Privados de Portugal (do grupo Caixa Geral de Depósitos) demoraram mais de um ano e meio para acertar todos os pormenores do contrato, que aguarda apenas a validação do Tribunal de Contas para ser oficial. Com 25% de capital alienado à espanhola USP, a HPP é o único grupo privado de saúde com a garantia de ir gerir um hospital.

2 - José de Mello Saúde vai gerir hospital de Braga
Em Braga, a estratégia dos Mellos foi simples: depois de apresentarem uma proposta mais cara que a Espírito Santo Saúde, o grupo desceu o preço em cerca de 30%. Resultado? Ganhou o direito de passar à fase final do concurso, negociando agora todos os aspectos da proposta com o Estado, antes de passar à definição do contrato. A José de Mello Saúde é o maior a operar em Portugal e na península Ibérica. A recente decisão do Governo deixa o grupo sem a gestão do seu hospital mais conhecido, o Amadora-Sintra.

3 - Grupo Português de Saúde quase certo em Vila Franca
O Grupo Português de Saúde disputa com a José de Mello Saúde a passagem à fase final da negociação. Se Salvador de Mello seguir a mesma estratégia de Braga, é de esperar uma redução substancial do preço apresentado pelo consórcio Escala. Em entrevista recente ao Diário Económico, Franquelim Alves mostra-se convicto que não vai haver “predação de preços”. A GPS tem três clínicas em construção no centro do país e o seu cartão de visita é o British Hospital, para além das clínicas Unimed – curiosamente, a de Cascais foi vendida aos Mello.

publicado por MMP às 15:56
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